Promiscuidade Jornalística

Thursday, January 22, 2009

Já pensou?!

Filhas de Obama viram bonecas e são vendidas a US$ 9,99
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u493287.shtml

Imagina só por quantas Sasha, 7, e Malia, 10 tiveram que passar para ficar com os centímetros de um brinquedo...

A Malvada

É noite. Tarde, muito tarde da noite. E eu não consigo dormir. Essas três frases poderiam ser um poema, ou uma canção sertaneja. Daquelas bem grudentas, que a gente aprende quase sem querer. Taí outra frase de música romântica. Não vem ao caso agora. O que eu estava tentando dizer é que tenho insônia. Insônia é ter ou sentir? Só sei que vivencio-a.

E os motivos, eu não sei. Pode ser fome, medo, dor, pensamentos desorganizados. Sempre é. Acho que prefiro insônia de dor, assim você não é muito culpada pela incapacidade de dormir, é como uma isenção de sua desgraça pela manhã. Penso também que é culpa de LOST. Ou é culpa da raiva que eu sinto vez ou outra. Ou TPM, vai ver que é.

Aí eu entro na internet, pra ver quantos iguais a mim eu encontro. Poucos, pelo menos todos estão away, ou be right back. Meu MSN é em inglês, não pude escolher isso também. Nessa hora, navego pelas notícias, talvez haja algo a ser comentado, ou criticado, alguma notícia idiota. Estou no site da UOL, e vejo então a foto de Tahina, um filhote de lêmure, agarrado com um urso de pelúcio. Primeiro eu penso o que diabos seria um lêmure. E porque o urso na história? Ainda, o tal bicho é macho ou fêmea? Desisto.

Os minutos continuam passando, e eu só penso em que horas eu vou dormir. Culpa da picanha do almoço, da torrada do jantar, da banana do lanche? Não sei. Não durmo, e ainda não faço idéia do que seja o bendito lêmure.

Wednesday, April 18, 2007

Tour Etílico: CERVANTES GRILL

Desde que regressei a Pátria Amada, dediquei uma parte dos meus fins de semana a visitar bares, restaurantes e casas de shows. Notei que as coisas mudaram um pouco desde do verão, nada de muito radical, mas lugares abriram, fecharam, reabriram e alguns bons continuam reinantes na noite universitária natalense.

Uma dia de um bom lugar para se achegar em uma noite de semana é o barzinho Cervantes, localizado lá pelas redondezas da AABB da Hermes da Fonseca, lugar de brisa fácil, cerveja gelada e bons petiscos. As mesas são colocadas na calçada, você não perde o movimento e ainda aproveita nosso bom clima.

Vale a pena dar uma passada por lá, como quem não quer nada, e se deliciar com o já famoso escondidinho de camarão ou a picanha na brasa, saindo quentinha no espeto direto para o prato. Só precisa ter cuidado e chegar cedo, que falta calçada pra quantidade de mesa!

Monday, March 19, 2007

Meu amigo, o cabrón – por Jordana Mamede

Tenho um amigo excêntrico, a começar pelo sobrenome inusitado, nome de fruta da Amazônia e refresco com gás. Fosse só isso, tudo ficaria na linha da singularidade e a conversa estaria muito mais pra verbete de almanaque de curiosidades. Fosse, mas o uso do verbo no passado já expõe que não é.
Pelo que me lembro, tudo começou quando o rapazote voltou de longo périplo pelas terras acima dos Grandes lagos, onde nada é proibido. Dois meses, e o estudante de inglês, se apaixonou (literalmente!) pela língua mexicana. COMUNICACIÓN, meu caro! De volta ao Brasil, há um mês que mudou o nome, e só atende por CABRÓN, seu novo APELLIDO( com dois ll, que é pra significar sobrenome, só que em espanhol).
Odiando negar pedidos ou até exigências fraternas, eis que entro na brincadeira e também, profundamente, na “Gramática práctica de la lengua espanhola”. Pois o TONTO decidido a viver a cultura mexicana, só come TACOS, BURRITOS y QUESADILLAS(Sim, o “e” em espanhol é “y”). Achou derrepente que “NO ME GUSTA” feijoada com couve frito ou muito menos paçoquinha. Tudo que engole tem no meio flocos de CHOCLO.
Já a par de todas as prezepadas, em breve passagem pelas plagas paulistanas, eis que não pude deixar de me assustar ao ver que além da comida brazuca refugada, o cabrón só bebe CORONA(sem esquecer de misturar pimenta, sal e limão, a famosa MICHELADA). “Estoy aterrada!”, pensei em espanhol, com direito até a ponto de exclamação de cabeça pra baixo...
Coisas pequenas foram sendo adicionadas ao seu repertório cotidiano. “Buenos dias!”, saudou o porteiro do prédio com esmero de um hablante nativo. A CNN en español passou a ser o canal PREDILECTO. Já nem devotava afeição ao tricolor paulista, agora carregava no peito o AZUL y AMARILLO, cores do San Luís, depois de descobrir o magnífico time através de uma rápida consulta ao “Guia de los servicios públicos de San Luís Potosí”.
Certo dia, foi visto plantando NOPALES na praça da Sé, e usando um SOMBRERO na 25 de março. Grande fã de Manuel Bandeira e seus poemas, pichou no túnel Ayrton Senna “Vou-me embora pra Oaxaca”, além de ter declarado simpatia pela causa dos CHIAPAS. Não esquecendo a foto que tirou beijando a bandeira mexicana, com legenda “Gracias, Mexico!”, coisa de BARBERO BOBO o JALA BOLA dos maiores que existem!
O que me falam é que hoje em dia, o NIÑO freqüenta bares latinos a procura de sons de REGGAETON, MARIACHIS, não perdoando nem RBD e o meloso banda MANÁ, com “lábios compartidos”. Ah! E nunca fica bêbado, vive BORRACHO! Está tão ACOSTUMBRADO com tudo, que chora assistindo Maria del Barrio, sofre como um cão ouvindo “Por uma cabeza”, de Gardel e entende perfeitamente o humor sarcástico dos filmes de Almodóvar. Que super-homem que nada! Seu super-herói é EL ZORO!
Cabrón, meu amigo mais que querido que um dia falou em Pátria Amada, hoje se despede dos íntimos com CUIDATE MUCHO ou TE QUIERO MUCHO. Não posso negar que quase me esqueço as vezes, e encerro minhas mensagens com um BESOTES no final, além de amar PULPARINDO. É a febre latina. Podemos ter deixado o Canadá, mas o México nunca nos deixará.

CANGACEIRO BENTO? - Por Filipe Marques

Quem nunca ouviu falar da beleza bucólica de Maria Bonita, da bravura e da vaidade de Lampião e de seus capangas, com certeza, conhece muito pouco da história do cangaço nordestino. No máximo deve ter sabido de causos e anedotas que davam conta de Lampião hora como herói, hora como bandido. Certeza maior é ninguém ter ouvido falar que cangaceiro fosse santo. Pelo menos até agora! Por que é exatamente isso que acontece na cidade de Mossoró, região do Seridó norte-rio-grandense.
Lá pelos idos da década de 20, a trupe de Lampião já tinha saqueado, matado e esfolado por tudo quanto fosse interior do nordeste. Como de costume, o grupo analisava a região onde aportavam e decidiam quais seriam os melhores lugares para a “labuta”. Resolveram que a próxima parada seria na abastada cidade de Mossoró, onde pensavam obter muito lucro. A cidade tinha sido avisada, mas ninguém acreditou, a não ser o prefeito.
Na tarde de 13 de junho de 1927, no meio de uma chuva que caía, ouviram-se os primeiros disparos. Teve quem pensasse que fosse barulho de trovão. Rodolfo Fernandes, o prefeito, recebeu do próprio Lampião um ultimato cobrando 400 contos de réis pra deixar a cidade em paz. O prefeito negou o pedido. Os bacamartes cuspiram fogo...
Naquele dia Mossoró só dispunha de pouco mais de 20 soldados. O prefeito organizou a resistência e se entrincheiraram como puderam em meio a sacas de algodão. Entre uma saraivada de bala e outra, o grupo de Lampião perdeu dois dos seus mais destemidos homens, Colchete, que morreu de tiro, e Jararaca que ferido, foi capturado pela polícia.
José Leite de Santana, o Jararaca, penou quatro dias na cadeia pública da cidade, ferido no peito e nas pernas. Na noite de 18 de junho, foi levado para o cemitério. A guarda que o conduzia, obrigou o cangaceiro a cavar a própria cova. O soldado João Arcanjo o sangrou, mas o povo diz que o bandido foi enterrado ainda vivo. Tinha apenas 26 anos.
Alguns dizem que Jararaca morreu de sede, clamando por um copo dágua. Mesmo oito décadas depois de sua morte, seja pelos diferentes rumos que a história toma, seja pela religiosidade pura e simples do povo, Jararaca é venerado por milhares de pessoas que acreditam que o cangaceiro é milagroso.
Todos os anos, durante o dia de finados, o túmulo de Jaraca é, de longe, o mais visitado da cidade. Apesar de mais pomposo e imponente, o túmulo do prefeito Rodolfo Fernandes, herói da resistência, pouco é lembrado pelo povo.
Episódio épico da cidade de Mossoró, a resistência ao bando de lampião deixou cicatrizes não apenas no imaginário da população. Ainda hoje é possível ver as marcas de bala na torre da igreja e em outros prédios da cidade.
A casa do prefeito Rodolfo Fernandes, atualmente é a sede da prefeitura. Com o imponente nome de Palácio da Resistência, o local foi palco da batalha contra Lampião e seus comparsas.

Sunday, December 03, 2006

High-tech, I'm out!

Meu universo é estático no tempo, ou melhor, mal passou dos anos 80. Chego a essa conclusão quando me dou conta que tenho em meu quarto um aparelho de tv da marca SHARP, que nem se quer existe mais. Antes, era uma Nacional, daquelas que tem uns pitocos pra sintonizar com ajuda de um palito tipo de pirulito. Que sintonia fina que nada! Muito menos auto-programação. E ainda dizem que a classe média aumentou o poder de compra...
Não me baseio em um fato que se constitui exceção. Não meus caros, outros artigos de luxo – para qualquer museu da imagem e do som– figuram em minhas posses, e eu me agarro a elas com um zelo de objeto novinho. Nunca se sabe quando um treco desses vai voltar a fazer sucesso, coisa que eu muito desconfio que vá um dia acontecer. Porém, por via de todas as dúvidas... Porque não?!
Um walkman, que toca sempre uma fita da aula de espanhol(El Zoro) e só sintoniza rádio evangélica. Parece que aquele treco não conhece uma antena, ou se um dia a teve, esses foram poucos. Montes de canetas enfeitadas, que quando as comprei no mercado das quinquilharias da China, tinham cheiro, cor, mas que hoje não passam de inanimadas futilidades que me lembram a todo momento duas coisas: que nunca serviram pra escrever e ainda custaram uma nota preta. Ainda bem que um dia a gente cresce e abandona essas manias!

Friday, December 01, 2006



Erro!

Palavras para o título não encontradas.... , por Jordana Mamede

Sem vergonha, anuncio minha ruína. Em derrocada, “quase” jornalista formada, encontro-me no mar do silêncio e ausência na ponta do lápis. As palavras, que de uma geminiana são companheiras eternas, rareiam como coca-cola (muito gelada!) no deserto. Sumiram do mapa, escafederam-se, foram embora para algum tipo de Pasárgada.
Anos e anos de leitura, reunindo adjetivos e substantivos – até em outras línguas – na vã tentativa de formar um exteeeeenso vocabulário, digno de uma academia de letras, onde quer que fosse, e vejo essa lista me deixar repentinamente, abruptamente. E a moça aparecer, elegante.
Posso até descrever, mesmo com minha competência enciclopédica furtada na calada da noite, que foi exatamente no momento que adentrou ao palco uma “certa” senhorita: menina danada, mãos longas de rubras unhas, agarrada na barra da saia.
Quase quebrável de tão franzina, quem adivinharia que ao cantar, recitava um bálsamo, mantra, lotando os corações e apagando os pecados? Foi aí que ela levou a metade de um poema e o lead de uma notícia que eu havia feito antes do jantar.
Daí em diante, o que sucedeu?! A perda de conceitos, palavras, títulos, músicas, um script para um programa de rádio, a lista de compras, o jogo do bicho e a megasena. Eu via ali o glamour personificado, o estilo ganhar significado novo e o orgulho crescer e aposentar a inveja. Joguei La Rousse, Aurélio e Oxford no lixo, montes de páginas desvalorizadas!
Ah, e de que modo poderia ser diferente? Se doce e mansa – tímida mesmo, de corar as maças – desfez-se em cena, jogando as pétalas, sem saltos ou máscaras. Parecia até desdenhar, a menina! Com gestos que mal ocupavam espaço, regia minimalisticamente (como uma gueixa contida) a sinfonia dela só.
Eu fui murchando... murchand... mur... Até que engasguei por um instante e esqueci meu nome. Sic. Perdi a voz, e as forças eu deixei por lá, vagando nos espaços espremidos por uma platéia em ovações. Desconfio depois de dias, que o culpado foi o denso sonido das baladas tão despretensiosamente propagadas no ar. Desejei estar no espaço, onde o vácuo mantém taciturno qualquer som.
Em meu exílio, incomunicável, calada por uns dias fiquei. Lembrei-me do silêncio, prolongando-se, dela, sua voz. A explosão do início, a crescente no palco, o preto, as luzes cor de bergamota. Roberta Sá, no baixo verão, em uma noite quente de um novembro esmaecendo, me tomou as palavras. E por mim, pode ficar com elas o quanto quiser.

Thursday, November 30, 2006

Que pelo menos dure enquanto é CARNATAL

Parafraseio o sambista Miltinho neste título, mas apenas como ilustração para minhas abstrações.

Que felicidade imbecil é essa que dura três dias? Só mesmo o imbricado que compõe o cérebro é capaz de transformar o humor em segundos, mudando ao seu bel-prazer.

É só falar em bebida, folia e diversão que o sorriso nasce na face, desperta o sentimento de viver, aproveitar, conhecer, beijar.

Mesmo sabendo que excessos de todos os tipos ocorrem, a gente quer mais é exceder mesmo! E que dona ressaca passe bem longe da nossa porta esses dias... Xô velhaca!

Por três dias, que pelo menos dure enquanto é carnatal.

Wednesday, November 29, 2006

Lets start...

A primeira postagem é sempre emocionante. Nasce um novo blog. Mais um para que se prossiga com o exibicionismo que nossa rede mundial de computadores proporciona. O big brother de Orwell, só que escrito. A indicação que algo fantástico, brand new, maravilhoso irá começar a se formar por meio desses caracteres unidos ou não em serifas, que nós chamamos palavras.

Hoje nem se quer é um bom dia para se começar algo, mesmo as pessoas que fazem dietas bem-sucedidas discordando: o melhor dia para o início, é o menos indicado. Meio de semana é sempre sem fio condutor. Ontem não foi domingo e a sexta-feira ainda é só uma visão.

Exemplo disso é que ninguém começa a frequentar uma academia na quarta-feira. Ninguém começa um curso de inglês na quarta-feira. E até mesmo os que nunca vão à missa, não escolhem a quarta-feira para começar a frequentá-la.

Mesmo assim, teimosa e espirituosa como sou, decerro a placa de inaguração, coloco a pedra fundamental e mostro meus textos fantásticos ou sarcásticos, como queiram, em devaneios que nem a revista rolling stone ou um psicologo behaviorista são capazes de transformar em tédio.